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ANTONIO  GALLO

VAMOS REFLETIR !

UMA REFLEXÃO


               O homem, por detrás do balcão, olhava a rua de forma distraída.  Uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrine.  Os olhos, da cor do céu, brilharam.  Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesa azul.  ___ É para minha irmã.  Pode fazer um pacote bem bonito ?” , disse.   O dono da loja, desconfiado, olhou para a garotinha e perguntou:  ___ Quanto dinheiro você tem ?”.   Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós.  Colocou-o sobre o balcão e, feliz, disse: “___ Isso dá ?”  .  Eram apenas algumas moedas que ela exibia orgulhosa.   ___ Sabe, quero dar este presente para minha irmã mais velha.  Desde que morreu a nossa mãe, ela cuida da gente e não tem tempo para ela.   É aniversário dela e tenho certeza que ficará feliz com o colar que é da cor de seus olhos.”   O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou-o com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde. ___ Tome.  Leve com cuidado.  Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.

             Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis entrou na loja.   Colocou sobre o balcão o já conhecido estojo desfeito e indagou: “___ Este colar foi comprado aqui ?”.  ___ Sim senhora.” “   ___ E quanto custou ?” “___ Ah! , falou o dono da loja, o preço de qualquer produto da minha loja é sempre assunto confidencial entre o vendedor e o cliente”.  A moça continuou: “___ Mas minha irmã tinha somente algumas moedas.  O colar é verdadeiro, não é ?   Ela não teria dinheiro para pagá-lo”.  O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu à jovem: “___  Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar.  Ela deu tudo o que tinha”.  O silêncio encheu a pequena loja, e duas lágrimas rolaram rolaram pela face emocionada da jovem enquanto suas mãos tomavam o pequeno embrulho. 

 

            Então:

“A verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições.” 

            “Quem ama não coloca limites para os gestos de ternura.”  

 

 

ANTONIO  GALLO

VAMOS REFLETIR !

SEGUNDA CHANCE

               Havia um homem muito rico, possuía muitos bens, uma grande fazenda, muito gado e vários empregados a seu serviço.  Tinha ele um único filho, um único herdeiro, que, ao contrário do pai, não gostava de trabalho nem de compromissos.  O que ele gostava era de festas, estar com seus amigos e de ser bajulado por eles.  Seu pai sempre advertia que seus amigos só estavam ao seu lado enquanto ele tivesse o que lhes oferecer, depois o abandonariam.  Os insistentes conselhos do pai lhe retinham os ouvidos e logo se ausentava sem dar o mínimo de atenção. Um dia o velho pai, avançado na idade, disse aos seus empregados para construírem um pequeno celeiro e dentro dele ele mesmo fez uma forca e junto à ela uma placa com os dizeres: “para você nunca mais desprezar as palavras de seu pai”.   Mais tarde chamou o filho, o levou até o celeiro e disse:  ___ Meu filho, eu já estou velho e quando partir, você tomará conta de tudo o que é meu, e sei qual será o seu futuro ...   Você vai deixar a fazenda nas mãos dos empregados e irá gastar todo o dinheiro com seus amigos, irá vender os animais e os bens para se sustentar, e quando não tiver mais dinheiro, seus amigos vão se afastar de você.   E quando você não tiver mais nada, vai se arrepender amargamente de não ter me dado ouvidos ...  É por isso que eu construí esta forca ... sim, ela é pra você, e quero que você prometa que se acontecer o que eu disse, você se enforcará nela.  O jovem riu, achou um absurdo, mas para não contrariar o pai, prometeu e pensou que isso jamais pudesse ocorrer.

         O tempo passou, o pai morreu e seu filho tomou conta de tudo; mas assim como se havia previsto, o jovem gastou tudo, vendeu os bens, perdeu os amigos e a própria dignidade.

         Desesperado e aflito começou a refletir sobre a sua vida e viu que havia sido tolo, lembrou-se do pai e começou a chorar e dizer: ___ Ah, meu pai, se eu tivesse ouvido os teus conselhos, mas agora é tarde, é tarde demais ...

         Pesaroso, o jovem levantou os olhos e longe avistou o pequeno celeiro, era a única coisa que lhe restava.

         A passos lentos dirigiu-se até lá e, entrando, viu a forca, a placa empoeirada e disse: ___ Eu nunca segui as palavras de meu pai, não pude alegrá-lo quando estava vivo, mas pelo menos esta vez vou fazer a vontade dele, vou cumprir minha promessa, não me resta mais nada.

         Então subiu nos degraus e colocou a corda no pescoço, e disse: ___ Ah se eu tivesse uma nova chance ...

         Então pulou,  sentiu por um instante a corda apertar a sua garganta, mas o braço da forca era oco e quebrou-se facilmente, e o rapaz caiu no chão, e sobre ele caíram jóias, esmeraldas, pérolas e diamantes; a forca estava cheia de pedras preciosas e um bilhete que dizia: “ESTA É A SUA NOVA CHANCE.  APROVEITE-A . EU TE AMO.  SEU PAI.

 

 

ANTONIO  GALLO

VAMOS REFLETIR !

AS PENEIRAS DA SABEDORIA

               Terminada  a missa, o velho padre descansava, quando um paroquiano aproximou-se e disse:

            ___ Padre, vou contar o que disseram de outro paroquiano.

            O padre, com sabedoria, responde:

            ___ Calma, meu amado.  Antes de me contar quero saber se você já passou a informação pelas três peneiras.   Escute com atenção:  tudo o que for dizer aos outros, passe antes pelas peneiras da sabedoria:

            ___ A primeira peneira, continuou o padre, é a Verdade.  Tem certeza de que o que vais contar é verdade ?   Meio sem jeito, o paroquiano respondeu:

            ___ Bem ... certeza realmente eu não tenho, só sei que me contaram.  O padre então continuou: 

            ___ Então, se não tem certeza, a informação vazou pelos furos da primeira peneira e repousa na segunda, que é a peneira da Bondade.   Eu lhe pergunto: ___ O que vai me contar é alguma coisa que gostaria que dissessem de você ou vai trazer algo de bom para alguém ?

            ___  De maneira alguma ! exclamou o paroquiano.

            ___ Então a sua história passou pelos furos da segunda peneira e está na terceira peneira, que é a peneira da Razão.   Pergunto:  é necessário passar adiante essa história sobre o irmão ?

            ___ Pensando melhor, disse o paroquiano, não há necessidade alguma ...

            ___ Sendo assim o assunto acaba de passar pelos furos da peneira, perdendo-se na imensa terra.  E não sobrou nada para contar.

 

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